Brazilian Guitars: resgatando a história!

Sabe aquela guitarra encostada no porão da sua casa a décadas, escrito atrás do headstock de forma bem apagada "Made in Brazil"? Saiba que ela pode ter feito história! Vamos aqui relembrar as guitarras brazucas que fizeram história!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Por dentro da Tagima: Parte 2

Olá. Essa é a segunda postagem da série Por Dentro da Tagima. Abordarei a fabricação do braço, pintura, colocação dos decalques etc.

Após o corte dos braços, estes vão para a parte de acabamento, conforme a foto abaixo.


Primeiro, são colocados os trastes, que é um processo delicado e totalmente artesanal. É fundamental ter bastante perícia, pois isso define a precisão da afinação e também o conforto ao tocar. São colocados, cortados os excessos, nivelados e, ao final, polidos, para ficarem uniformes. Após isso, o braço passa por mais um lixamento, para definir o shape. É mais um processo totalmente artesanal, depende da habilidade do profissional, que utiliza uma lixadeira, e faz a finalização é à mão. Se a guitarra for escalopada (E1,E2, JA1, JA2 etc), é nesse departamento que isso é feito, outro processo manual.

Agora, com o corpo e o braço já prontos, chegou a hora de receberem pintura. Alguns braços recebem pintura no headstock, outros também na parte traseira e outros só verniz, como a T-635, T-735, T-505 etc. Abaixo, uma foto da cabine de pintura, que tem um esquema especial de filtragem do ar, para proteger a saúde dos profissionais que trabalham nessa área.


Os corpos recebem a pintura, o verniz, e secam por 3 dias antes do polimento final.

As guitarras com pintura craquelada passam por um processo um pouco mais trabalhoso. Primeiro é aplicada a tinta de fundo (no caso da Arrow: tinta cinza chumbo), após secar, a tinta é toda nivelada, para não ter imperfeições. Após isso, aplica-se a outra tinta (na Arrow, tinta preta) junto com um reagente químico, que produzirá o efeito craquelado. Quase que imediatamente a pintura já começa a “rachar”. O interessante é que como é um processo químico, cada instrumento fica diferente do outro. Vale ressaltar que até as condições climáticas podem afetar em como que ficará o craquelado.

Na foto abaixo, alguns corpos de Tagima Arrow secando após receberem a pintura.


Os braços que possuem o headstock pintado passam também pelo mesmo processo de pintura. Na foto abaixo, vários braços das guitarras modelos Edu Ardanuy e Arrow secam, algums já com decalque e outros ainda não. Há também 2 braços de T-735 à esquerda e atrás um braço de T-505.


Quando os headstocks já estão secos, recebem o decalque com o logotipo da Tagima e mais o complemento, dependendo da guitarra, como “Edu Ardanuy Signature Series”. Esse processo pode ser conferido na foto abaixo.


É um processo delicado, pois se não for feito corretamente, pode criar bolhas embaixo do logotipo. O decalque é colocado na água (para que não entre ar) e depois sobre o headstock. Então o profissional pressiona até sair todo o ar e a água, seca bem e depois, com o auxílio de uma fita adesiva, retira o papel do decalque e o headstock está pronto.

Na última foto dessa postagem, alguns braços já pintados e com decalque, prontos para irem para a montagem. Mas isso será assunto da próxima parte dessa série (penúltima), assim como o polimento final do corpo e a embalagem.



Até a próxima postagem!

2 comentários:

  1. Interessante o que você explicou sobre a pintura craquelada, onde o desenho é único para cada instrumento. Se entendi bem, quem tem um instrumento desses pode estar certo que ninguém tem outro igual. Semelhante coisa acontece na natureza, onde as manchas das girafas são únicas para cada indivíduo. Não existem duas girafas iguais. Muito boa a sequência da sua reportagem.

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  2. Eu acho muito foda esse headstock invertido.

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